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Onde você quer
chegar?
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Antes de estabelecer a altura da montanha que
quer escalar na sua trajetória profissional, é preciso avaliar
seus valores e seus ideais. Coloque tudo na balança e descubra o
que você chama de sucesso.
João sonha em chegar à presidência de uma grande companhia. Maria
quer abrir um negócio próprio, ver a empresa crescer e ganhar
muito dinheiro com isso. Ana pretende investir na carreira acadêmica
e sua meta é conquistar uma cadeira de livre-docente. Já Antônio
quer mais é ser feliz, continuar encerrando o expediente cedo e
tirar férias duas vezes ao ano. Comodismo? De jeito nenhum. Sucesso
para ele significa conseguir o equilíbrio entre vida pessoal e
trabalho, nem que para isso precise abrir mão de chegar ao alto
escalão de uma companhia.
Qualquer que seja o objetivo profissional ambicionado, o importante
é nunca deixar de persegui-lo. Portanto, se desde jovem a pessoa
considera que o topo, para ela, será o dia que tiver sua própria
empresa e ultrapassar a marca de cem funcionários, ela não deve
perder de vista sua meta. Deve direcionar sua carreira de modo que
aos 35, 40 anos possa estar próximo de alcançá-lo.
Há um preço a ser pago
Embora todo mundo ambicione algo, nem sempre levam os sonhos a sério.
"Quando as pessoas me procuram, normalmente estão perdidas. A
maior parte diz que pretende chegar à gerência geral de uma
multinacional, mas nem todo mundo quer pagar o preço", diz a
psicóloga Regina Silva, do Instituto Gyraser, que faz
aconselhamento profissional. O preço ao qual ela se refere é a
dedicação necessária para chegar ao alto escalão e todas as renúncias
que a pessoa terá que fazer ao longo da carreira.
O primeiro passo para ter sucesso é identificar quais são esses
ideais. Nessa tarefa, a psicóloga lança mão de uma técnica
chamada Âncora de Carreira, que faz parte do livro Identidade
Profissional, de Edgard H. Schein (Editora Nobel). A técnica
consiste em combinar valores dos quais a pessoa não abre mão,
perfil pessoal e profissional. "A partir daí define-se o que
é sucesso. Não é raro descobrir que, muitas vezes quem quer que
uma pessoa chegue à presidência de uma empresa é a esposa ou o
marido, e não ela própria", diz Regina.
Mesmo sendo uma técnica eficiente, a âncora está longe de
funcionar de modo estático. Conforme a vida caminha, é natural
mudar os valores de cada um. "Normalmente, quando a mulher
engravida, ela reorganiza sua escala de valores e, com isso, o
sucesso para ela passa a ter outro significado", diz a psicóloga.
Em geral, toda pessoa combina duas âncoras, com uma predominante.
O impulso que move as pessoas em direção ao que considera sucesso
é a ambição. "Ela é o motor da vida, mas precisa haver um
equilíbrio. Quando a ambição é muito intensa, é comum a pessoa
ser engolida por sua vaidade. Por sua vez, sua ausência está
atrelada ao conformismo", diz a terapeuta Anna Sharp,
consultora do instituto que leva seu nome, que presta serviço na área
de aconselhamento profissional. Segundo ela, falta de ambição
denota baixa auto-estima e sensação de incapacidade pessoal.
"É como uma fruta que hoje está verde e amanhã apodrece. O
comodismo aos poucos se transforma em inveja", diz ela.
Mudança de planos
Aos 18 anos, Miguel Noronha Feyo sonhava com uma carreira
corporativa. Imaginava que o dia em que ocupasse uma cadeira da
diretoria, poderia se dar por satisfeito. "Em meus planos, aos
30 teria que sentar-me em uma cadeira de diretor em uma
multinacional", lembra ele, que viu seu sonho se concretizar,
mas ao atingi-lo percebeu que, àquela altura, sucesso já tinha
outro significado para ele.
Nessa época, passou a perseguir outro objetivo profissional.
Assumiu a gerência geral de uma companhia portuguesa e se
estabeleceu no país por seis anos. Retornou ao Brasil em 1997 por
razões pessoais e permaneceu no ambiente corporativo, em cargos de
diretoria. Em 2001, um convite para dar aula no MBA da Escola
Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) mudaria de vez seu
caminho. "A experiência acadêmica me fez acreditar que havia
outro tipo de carreira bem-sucedida, que não nas grandes corporações",
diz ele. Nessa época, passou a receber convites por parte de seus
alunos para prestar serviços de consultoria. Então, deixou a
companhia onde trabalhava e mergulhou nas novas atividades. "Não
saí por causa da nova oportunidade e sim porque cheguei a uma época
da minha vida em que passei a priorizar meu crescimento intelectual,
qualidade de vida e independência."
Sua ambição hoje é contribuir com o sucesso das empresas para as
quais presta consultoria e assim aumentar sua visibilidade como
consultor. Mas engana-se quem imagina que seu sonho vai muito além
disso. Nem pensa em montar uma grande consultoria para ter 200
funcionários. Como acadêmico, quer investir nos muitos livros técnicos
na área de negócios que pretende escrever. "Hoje essa é a
minha grande ambição de vida", conta ele.
Determinação a toda prova
Regina Boschini não pisa em falso. Desde cedo, quando começou a
trabalhar, sabia bem o caminho que pretendia traçar. "Meu
sonho sempre foi ser uma referência na área de marketing",
diz ela. Formada em administração de empresas e pós-graduada em
marketing, Regina está há seis anos na Batavia, detentora da marca
Batavo, onde começou na companhia como gerente júnior de produtos
e hoje responde pela gerência executiva de marketing. Antes de lá,
trabalhou na Cargill e na Antártica. Por enquanto, não se deparou
com nenhum desvio de percurso; nem a maternidade atrapalhou. Casada
e mãe de Ana Beatriz e Antônio, um casal de gêmeos de três anos,
Regina se desdobra com o marido, também executivo, na dedicação
às crianças. "Temos pesos semelhantes na manutenção da
casa, então, a gente conversa muito e equilibra bem os papéis",
diz ela, que divide com ele não só a tarefa da casa, mas também
os objetivos profissionais, inclusive o de trabalhar no exterior. A
determinação e seriedade com qu e Regina encara suas metas não
deixa dúvidas de que o sucesso esperado é só uma questão de
tempo. "Sou ambiciosa, me dedico aos meus sonhos e sei que
tenho a sorte como aliada", afirma.
QUAIS SÃO AS SUAS ÂNCORAS?
Tente identificar quais são as áreas que mais importam na sua vida
e passe a valorizá-las
Competência técnica/funcional: em geral, é a veia de
pessoas que gostam da área de pesquisas. O caminho natural é a área
técnica das empresas ou a carreira acadêmica.
Gerência geral: é a característica das pessoas que gostam
do ambiente corporativo das grandes companhias e sonham em ocupar o
posto de um presidente.
Autonomia e independência: é a âncora dos profissionais que
priorizam fazer as coisas de seu próprio jeito, em vez de ter que
encaixar-se em uma estrutura disponível. Costumam seguir o caminho
das consultorias ou vão para a área acadêmica.
Desafio puro: se o obstáculo for duro, mergulham de cabeça.
São os advogados que assumem causas impossíveis, os engenheiros
que encaram desenhos mirabolantes e os estrategistas que só se
interessam por clientes à beira da falência.
Estilo de vida: o trabalho e as necessidades pessoais e
familiares devem estar em equilíbrio . São profissionais capazes
de abrir mão de aspectos de sua carreira que sacrificariam sua
situação de vida.
Segurança/ estabilidade: são profissionais preocupados em
serem bem-sucedidos para garantir a estabilidade. São os
profissionais encontrados no médio escalão, ondem alcançam a
segurança financeira sem se tornarem tão vulneráveis.
Criatividade empreendedora: dispostos a assumirem riscos, os
empreendedores sabem que são capazes e querem mostrar ao mundo que
seu sucesso é fruto de seu próprio esforço. Assim, jamais
renunciariam à oportunidade de fazer as coisas de seu próprio
jeito.
Serviço/ dedicação a uma causa: acreditam em uma causa
maior e o trabalho só faz sentido se for em prol de um benefício
à sociedade. São os profissionais que investem em carreira
assistencialista, área pública ou em ONGs.
Fonte: REVISTA VIDA EXECUTIVA
Autor: Juliana Nogueira
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